Saúde Mental

IBGE: 3 em cada 10 adolescentes brasileiros se sentem tristes com frequência

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A maior pesquisa de saúde do escolar do país ouviu 118 mil estudantes e expôs um quadro preocupante — mais grave entre as meninas. E revelou outro problema: a maioria das escolas não oferece apoio psicológico.

Um retrato amplo e oficial acaba de dimensionar o tamanho do sofrimento emocional entre os adolescentes brasileiros — e os números pedem atenção. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmaram se sentir tristes sempre ou na maioria das vezes. A pesquisa ouviu 118.099 adolescentes de 4.167 escolas públicas e privadas de todo o país em 2024, com amostra representativa do universo de estudantes brasileiros.

O levantamento vai além da tristeza. Entre os participantes, 42,9% relataram se sentir “irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa”, e 26,1% disseram sentir, de forma constante, que “ninguém se preocupa” com eles. A pesquisa também mediu a relação dos jovens com suas famílias: pouco mais de um terço achava que os pais não entendiam seus problemas, e parte relatou ter sofrido agressão física de um responsável no último ano.

Um recorte de gênero que não pode ser ignorado:

Em todos os indicadores, os resultados entre as meninas foram consideravelmente mais alarmantes que entre os meninos. Enquanto 16,7% dos meninos relataram se sentir tristes com frequência, entre as meninas o índice salta para 41%. A insatisfação com a própria aparência segue o mesmo padrão: mais de um terço das alunas se disse insatisfeita com o próprio corpo, contra menos de um quinto dos meninos.

Especialistas associam essa diferença a pressões sociais específicas que recaem sobre as jovens — estéticas, comportamentais e de validação — frequentemente amplificadas pelas redes sociais, onde a comparação constante e a busca por aprovação digital passam a medir o valor pessoal. Para os pesquisadores do IBGE, o dado reforça a urgência de políticas públicas que considerem essas diferenças entre os sexos.

O dado mais grave: o desamparo institucional

Talvez o achado mais importante da pesquisa para quem atua na área não seja o tamanho do sofrimento, mas a falta de resposta a ele. Menos da metade dos alunos frequentava uma escola que oferecia algum tipo de suporte psicológico. A proporção sobe para 58,2% na rede privada e cai para 45,8% na pública. Pior: a presença de um profissional de saúde mental no quadro de funcionários da escola era realidade para apenas 34,1% dos estudantes.

Ou seja: num momento em que os adolescentes mais precisam de acolhimento, a estrutura para recebê-los simplesmente não existe na maioria das escolas. Esse vácuo conecta o dado brasileiro a um problema global — a chamada lacuna de tratamento, em que a demanda por cuidado cresce muito mais rápido que a oferta. Para psicólogos e estudantes da área, o recado é duplo: há uma necessidade social enorme e ainda mal atendida, e há um campo de atuação — psicologia escolar e educacional — que tende a ganhar protagonismo nos próximos anos.

O papel da escuta

Os dados reforçam algo que a psicologia conhece bem: o adolescente que sofre raramente pede ajuda de forma direta. Sinais como irritabilidade constante, isolamento, queda no rendimento e mudanças bruscas de comportamento merecem atenção de famílias e educadores. O Ministério da Saúde reforça a importância de conversar com alguém de confiança e de não hesitar em procurar serviços de saúde — como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e as Unidades Básicas de Saúde — diante de qualquer sinal de sofrimento.

Fonte: Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), IBGE, edição 2024, divulgada em março de 2026.

Este conteúdo tem caráter informativo. Se você ou alguém que você conhece está enfrentando sofrimento emocional, busque acolhimento na rede de apoio e em serviços de saúde. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas, e pelo site cvv.org.br.

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