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OMS alerta: o mundo está muito atrasado para cumprir suas metas de saúde mental

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Relatório apresentado ao Conselho Executivo da organização mostra que o orçamento global para o tema está parado desde 2020 — e que há, em média, apenas um profissional público de saúde mental para cada 10 mil pessoas. O Brasil convive com o mesmo desafio.

Apesar de a saúde mental nunca ter ocupado tanto espaço no debate público, o mundo está ficando para trás na hora de transformar esse discurso em ação concreta. É o que aponta o mais recente relatório do Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), apresentado durante a reunião do Conselho Executivo da entidade, em Genebra. O documento conclui que os países estão significativamente fora da rota para cumprir as metas globais de transformação dos sistemas de saúde mental até 2030.

Os números explicam o alerta. Cerca de 1,1 bilhão de pessoas viviam com algum transtorno mental, segundo os dados mais recentes da OMS. Apesar dessa dimensão, os recursos financeiros e humanos destinados à saúde mental não cresceram desde 2020: os orçamentos seguem estacionados em uma mediana de apenas 2% do gasto público em saúde. E há um abismo de pessoal: na média mundial, existe apenas um trabalhador público de saúde mental para cada 10 mil pessoas — com variações enormes entre países ricos e pobres.

Novas pressões sobre a mente

O relatório destaca que o quadro vem se agravando sob o efeito de pressões recentes: os impactos persistentes da pandemia de COVID-19, as mudanças climáticas, o endividamento, a insegurança econômica, as desigualdades, a migração e os conflitos. Todos esses fatores expõem especialmente os mais jovens ao sofrimento psíquico.

Um dado merece atenção redobrada — e cuidado ao ser comunicado: segundo a OMS, a morte por suicídio é hoje a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo. É um indicador epidemiológico que reforça a urgência de ampliar o acesso ao cuidado e as redes de apoio voltadas a essa faixa etária, em vez de tratá-la como estatística distante.

A organização também colocou luz sobre o papel do ambiente digital. A OMS reconhece que o tempo excessivo online está associado a quadros de depressão, ansiedade e sofrimento psicológico entre adolescentes. Durante a discussão, representantes de países como Zâmbia e Bélgica pediram que a entidade enfrente com urgência o impacto das redes sociais e do uso intensivo de tecnologia entre os jovens. A União Europeia, por sua vez, levantou preocupação com o marketing agressivo de produtos nocivos — como tabaco, álcool e ultraprocessados — direcionado a crianças na internet.

A saída apontada: cuidado na comunidade

Entre as soluções, a OMS reforça uma direção clara: tirar o cuidado em saúde mental dos modelos hospitalares e institucionais e levá-lo para os serviços comunitários, integrados à atenção básica e ao cuidado social. A maioria dos países, porém, ainda está num estágio inicial dessa transição. O representante da Espanha defendeu o foco em “ferramentas não farmacológicas”, com menos prescrição de psicotrópicos e mais medidas sociais e ação comunitária — um debate que ecoa diretamente o papel de psicólogos e demais profissionais de saúde mental.

Houve ainda um alerta sobre quem cuida: entidades apontaram que os próprios trabalhadores da saúde enfrentam crises de saúde mental, com risco de suicídio estimado em 24% maior que o de outros setores, fruto de jornadas excessivas, insegurança no emprego e riscos psicossociais no trabalho.

O que isso diz ao Brasil

O retrato global espelha o desafio brasileiro. O país tem na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) justamente o modelo comunitário que a OMS recomenda — mas convive com subfinanciamento e desigualdade de acesso, os mesmos gargalos apontados mundialmente. Para psicólogos e estudantes, a mensagem é dupla: existe uma necessidade social imensa e mal atendida, e o modelo de cuidado que o mundo busca é, em essência, aquele em que a psicologia tem papel central. O desafio, no Brasil e no mundo, é transformar reconhecimento em investimento.

Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS), relatório do Diretor-Geral apresentado à 158ª reunião do Conselho Executivo (Genebra, fevereiro de 2026), via Health Policy Watch.

Este conteúdo tem caráter informativo. Se você ou alguém que você conhece está enfrentando sofrimento emocional, busque apoio. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece escuta gratuita e sigilosa pelo telefone 188, 24 horas, e pelo site cvv.org.br.

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